A Câmara dos Deputados, afastada dos holofotes da mídia em virtude da nova crise do Senado, deve analisar nos próximos dias a possibilidade de se abrir uma "janela", um período de 30 dias, permitindo aos políticos a troca de partido. A votação é esperada ansiosamente por vários detentores de mandatos, que esperam a oportunidade de concorrer nas próximas eleições em "liberdade". O fato é que, se aprovada, a janela poderá ser responsável por uma reviravolta nas eleições do Rio Grande do Norte em 2010. Não são apenas os ditos insatisfeitos que estão de olho na nova mudança. A "janela da infidelidade" pode deixar mais sequelas do que se imagina.
No jogo político, se comenta, por exemplo, que o senador José Agripino Maia (DEM) pode declinar do apoio a candidatura da senadora Rosalba Ciarlini (DEM) ao governo, logo ela, líder em todas as pesquisas de intenção de voto até aqui. A desistência do líder maior democrata seria a alternativa encontrada por ele, para angariar mais apoios ao seu próprio projeto de ser reeleito para mais oito anos no Senado.
Com a oportunidade de trocar de partido, acaba esta dependência. A candidatura rosalbista deixa de ser um instrumento do DEM, para ser um projeto da parlamentar. Rosalba pode muito bem deixar sua atual legenda, levar seus votos para outro grande partido e, independente, buscar sua vitória nas urnas. O próprio PSDB poderia ser uma oportunidade, já que faz parte da oposição e precisará de um palanque representativo no RN para seu projeto nacional de eleger o próximo presidente da República.
A "janela da infidelidade" vira o jogo, fazendo de Rosalba a dona das cartas. Ou Agripino aceita sua candidatura, ou perde seu apoio e seus votos, que serão de extrema importância numa disputa tão equilibrada como a que se está antevendo para o Senado. Por enquanto, nos resta esperar.
04 Julho, 2009
27 Junho, 2009
"Basta de impunidade"
A população brasileira assiste a mais uma das intermináveis crises do Senado Federal. Dessa vez, misteriosos “atos secretos” que aumentaram os salários de uma seleta lista de servidores, deixam a sociedade, de novo, indignada. Como se não bastasse tudo isso, o presidente do Congresso Nacional, senador José Sarney (PMDB-AC), aos 79 anos, sendo 54 dedicados a política, é apontado como idealizador e maior beneficiário da “máquina clandestina que operava a burocracia do Senado”.
Mas, ao contrário do que os eleitores deste país continental esperavam, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que bate seguidos recordes de aprovação popular, saiu em defesa daquele que um dia taxou de “grande ladrão. Em entrevista à imprensa, o petista disse mais uma das suas pérolas, dessa vez, atingindo em cheio a moral de um povo tão maltratado pela falta de vergonha da nossa classe política e corrupta.
“O senador tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum”, afirmou o presidente que saiu de Pernambuco para São Paulo ainda criança em cima de um caminhão de “pau-de-arara”, virou torneiro mecânico, liderou greves históricas de metalúrgicos em uma das regiões mais ricas do país em plena ditadura militar e se elegeu presidente da República, após ser derrotado por quatro vezes nas urnas. Era a vitória da “esperança” sobre o “medo”.
Como trouxe a revista Veja, em letras garrafais escritas na sua capa, o presidente mais popular da história do Brasil esqueceu a própria Constituição brasileira, que diz em seu artigo 5º: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. Um tiro no pé de um povo que lhe dá apoio acachapante.
Como se vê, a esperança de ver um Brasil sem corrupção foi derrotada. Agora, só nos resta esperar que o presidente que deixou de ser uma pessoa comum, deixe de defender seus pares “incomuns” e passe a defender e concordar com o pensamento daqueles que o ajudaram a se tornar o maior mandatário da nação. “Basta de impunidade”.
Mas, ao contrário do que os eleitores deste país continental esperavam, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que bate seguidos recordes de aprovação popular, saiu em defesa daquele que um dia taxou de “grande ladrão. Em entrevista à imprensa, o petista disse mais uma das suas pérolas, dessa vez, atingindo em cheio a moral de um povo tão maltratado pela falta de vergonha da nossa classe política e corrupta.
“O senador tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum”, afirmou o presidente que saiu de Pernambuco para São Paulo ainda criança em cima de um caminhão de “pau-de-arara”, virou torneiro mecânico, liderou greves históricas de metalúrgicos em uma das regiões mais ricas do país em plena ditadura militar e se elegeu presidente da República, após ser derrotado por quatro vezes nas urnas. Era a vitória da “esperança” sobre o “medo”.
Como trouxe a revista Veja, em letras garrafais escritas na sua capa, o presidente mais popular da história do Brasil esqueceu a própria Constituição brasileira, que diz em seu artigo 5º: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. Um tiro no pé de um povo que lhe dá apoio acachapante.
Como se vê, a esperança de ver um Brasil sem corrupção foi derrotada. Agora, só nos resta esperar que o presidente que deixou de ser uma pessoa comum, deixe de defender seus pares “incomuns” e passe a defender e concordar com o pensamento daqueles que o ajudaram a se tornar o maior mandatário da nação. “Basta de impunidade”.
17 Junho, 2009
Outras lembranças do “poema de concreto”
A noite em Natal era fria. Mais fria ainda para os poucos torcedores que resolveram sair de casa, em algum dia de qualquer ano do início da década de 90, para ir ao Machadão. No campo, disputavam mais uma partida o Alecrim e a Pauferrense. Na arquibancada, duas torcidas que, juntas, não somavam 300 pessoas.O jogo, como de costume nestes campos de pelada brasileiros, era ruim. Muitos chutões para frente, erros dos dois lados e um placar que não saía do zero. Mas, eis que os visitantes, num lance de sorte, fazem o primeiro gol. Fora de casa e vencendo o jogo, os torcedores de Pau dos Ferros não se continham.
Concentrados nas cadeiras do Machadão, que ficam logo acima das cabines de rádio e TV do estádio, a torcida pauferrense iniciou uma série de gozações com os alecrinenses. A torcida verde, em silêncio, agüentava a tudo. O jogo já estava no segundo tempo e se término se aproximava.
O relógio do juiz, certamente, ainda não marcava 40 minutos do segundo tempo quando o “Verdão” saiu em contra-ataque pela direita. O nome do atleta que levou a bola do meio de campo a área adversária, hoje, é impossível lembrar. Perto da grande área, o jogador cruzou na altura da marca do pênalti.
Meio sem jeito, um centro avante que mais parecia zagueiro ajeitou a bola no peito como Pelé fazia. Deixou que a pelota quicasse no chão uma vez e emendou, de canela, no canto do gol Pauferrense. O Alecrim empatava a partida a poucos minutos do fim. A alegria, que até então contagiava aqueles sentados nas “confortáveis” cadeiras do Machadão, atravessou a grade que separa a ala da arquibancada e fez aquelas poucas dezenas de pessoas vestidas com camisas verde pular como crianças.
A gozação, agora, mudara de lado. Apesar de conseguir apenas o empate, alguns alecrinenses mais exaltados não se contiveram e correram para perto da dita grade. Do outro lado, porém, receberam resposta. Começou uma das poucas brigas que já presenciei entre torcidas dentro do Machadão, excluindo, claro, a Gang alvinegra, do ABC, e a Máfia Vermelha, do América.
Latinhas de cerveja voavam por cima dos dois lados. Alguns torcedores resolveram subir na grade de proteção. Outros só gritavam. Um mais afoito, segurou uma pessoa pelo outro lado e a agrediu com a mão. A confusão só parou quando alguns membros mais experientes das torcidas, que, repito, não somavam 300 pessoas, entraram em ação. A famosa turma do “deixa o disso”.
O Alecrim não venceu, mais a “briga” de torcidas ficou para sempre na minha memória ainda infantil. Mais uma lembrança daquele que foi chamado um “poema de concreto”, e está prestes a desaparecer para dar lugar a uma Copa do Mundo. Progresso?
11 Junho, 2009
Era uma vez o "poema de concreto"

O que um dia foi chamado pelo ex-governador Cortez Pereira como “poema de concreto”, será demolido em 2010. O preço que Natal pagará para receber os jogos da Copa do Mundo de 2014 é esse. Para abrir espaço e transformar em realidade a Arena das Dunas, projeto que conquistou os técnicos da Fifa, serão extintos o Machadão, o Machadinho, o Centro Administrativo e o kartódromo.
Como a discussão sobre uma possível mudança nestes planos é considerada matéria vencida pelo governo, conforme disse o secretário-chefe-general do Gabinete Civil, Vagner Araújo, me resta relembrar alguns momentos marcantes daquele estádio, que com certeza ficará guardado na memória de muitos potiguares como eu. Afinal, não há ninguém por aqui sem histórias para contar com o antigo “Castelão”.
Conheci o mundo do futebol pessoalmente aos seis anos de idade. Depois de muito pressionar meu pai, ele acabou cedendo. Mesmo cansado após um dia inteiro de trabalho, como sempre, dedicados ao comércio, me levou pelo braço para assistir aquele Vasco e ABC pela Copa do Brasil de 1992. As cenas permanecem até hoje. A principal delas, o goleiro Carlos Germano, fechando o gol vascaíno.
Anos depois, não apago uma só lembrança do Vasco e América pelo Campeonato Brasileiro de 1997. Um time que meses depois entraria para história como tricampeão do torneio, saiu do Machadão feliz pelo empate de 0 a 0 com o Mecão. Naquele dia, o atacante Edmundo, que foi, em 97, um dos melhores jogadores do mundo, acabou expulso. “A gente vem jogar na Paaraíba, e colocam um Paraíba para apitar. Dá nisso”, bradou o antigo craque, com uma boa dose do preconceito carioca.
São poucas cenas de centenas que fazem parte da memória daquele velho Machadão, que cometeu o crime de envelhecer. Quando os milhões de reais que foram gastos na sua construção e nas dezenas de reformas realizadas ao longo do tempo se transformarem em pó, restará ao povo das terras de Cascudo a saudade. Era uma vez o “poema de concreto”.
24 Maio, 2009
A propaganda é o segredo do negócio
Mesmo longe, ouvia as palavras do pároco do bairro em cima de um carro de som. Milhares de pessoas entoavam os cantos que ficaram tradicionais para homenagear o homem que, numa época onde era inaceitável ser cristão, liderou um exército e defendeu os que acreditavam na sua mesma crença, até ser levado à morte.
Mas, aproveitando a oportunidade de divulgar seu negócio naquele dia especial, quando o Alecrim tinha ainda mais gente nas suas ruas do que já é comum, recebo um pequeno panfleto de um desconhecido. No início, nem olhei direito o papel, de tão reduzido que era. O entregador da propaganda, no entanto, não me liberou tão fácil.
“O senhor é dessa igreja?”, disse ele apontando para algo atrás de mim. Ainda nem sabia que estava na frente de uma casa do Senhor. Respondi que não. “O senhor não é o padre dessa igreja?”, insistiu o nobre desconhecido. “Não”, mantive. Neste momento, com a aproximação dos fiéis, o homem me deixou só e foi distribuir os demais papeizinhos.
Meio intrigado com tamanha curiosidade com que acabara de ser abordado. Me prendi a ler a mensagem. Ela dizia: “Missa com oração de cura, libertação e exorcismo com o Padre José, todo primeiro domingo de cada mês, no Erimitério próximo à Mangabeira, às 15 horas. Reservas de passagem por apenas R$ 5,00 reais com o Feirante Josimar”, que colocava em seguida seu próprio telefone, fixo e celular.
Surpreendido com o conteúdo da publicidade em questão, continuei a ler as letrinhas miúdas que apareciam embaixo do texto principal. “Patrocínio da Casa do Feirante Josimar. Vende Confecções de Caruaru e Fortaleza, quase do mesmo preço de lá. Temos muitas novidades”, terminava o bilhete. Como eu dizia, a propaganda é o segredo do negócio. Seja ele a fé, ou as roupas pernambucanas e cearenses.
21 Maio, 2009
“A gente entende doutor”

A noite de Natal não estava tão agradável, era quente, abafada até. A tarde passada na Assembleia Legislativa fora pouco produtiva. A sessão contou com apenas um discurso, feito para a audição do presidente da mesma. Além de mim, claro.
Não tinha muito que fazer; resolvi ir embora. Na saída, reparei um pouco na imponência que é o Palácio José Augusto, nome que o ex-governador potiguar José Augusto Bezerra de Medeiros empresta para a sede do poder legislativo.
Nem tanto pela porta giratória, principal meio para o cidadão comum que deseja entrar ou sair da “Casa do Povo”. Também não é pela sua fachada de granito, capaz de invejar uma Câmara Municipal. Mas, a escadaria é monumental.
Nada se compara aos passos lentos de uma autoridade, degrau a degrau, ascendendo da calçada, esta sim uma área popular, até a falada porta giratória. Na verdade, nem é preciso ser tão autoridade assim. Todo mundo vira doutor, quando se está em frente à Assembleia.
Nesta noite, ainda descia a portentosa escadaria, quando fui surpreendido pelo assovio de um flanelinha. Já passavam das 19 horas, quando o rapaz (negro, magro, aparentando seus 20 e poucos anos), me pediu do outro lado da rua, aos gritos, uma “ajuda pra levar pra casa”.
Passei alguns segundos, por causa da distância, até perceber que ele me pedia esmola. Ainda nas escadas, levantei a cabeça e perguntei até que horas ele ficava ali. “Normalmente até todos os carros irem embora, mas daqui a pouco tenho que ir para a OAB pegar o dinheiro dos carros que estão lá”, respondeu-me.
Já no último degrau, disse a ele que, infelizmente, naquele dia não poderia ajudá-lo. Mas, comprometi-me a, n’outra oportunidade, lhe dar algum dinheiro. O rapaz, aparentando estar acostumado com a negativa, primeiro sorriu, depois, se despediu. “Não tem problema, a gente entende doutor”.
Antes de sair, ainda olhei para a escadaria, que acabara de deixar para trás, apreciando seu poder. Como todo monumento, até quem passa por ele, vira doutor para o povo. Nem que este alguém seja um jornalista.
15 Maio, 2009
Um dia na Oscar Freire
São Paulo não é, tradicionalmente, uma região de forte atração turística. Mas, não se tem como passar pela capital e não ver a famosa Avenida Paulista, a movimentada rua 25 de Março ou aquela considerada como a oitava rua mais luxuosa do mundo: a Oscar Freire. O melhor caminho para todas elas é mesmo o metrô.
Já passava das 11 horas daquele domingo, quando sai da estação Sumaré e pus os pés pela primeira vez na rua que possui quase 900 metros de glamour. Para quem não sabe, a Oscar Freire tem dezenas de lojas com os artigos mais caros do país, restaurantes renomados, um charme comercial igualável apenas as mais badaladas avenidas de Nova York ou Paris.
Mas, não foram às lojas que primeiro avistei. Ainda na subida das escadas de saída da estação, o som vindo da rua não me era estranho. Por um instante, que talvez nem tenham passados de alguns segundos, fiquei parado vendo aquela cena.
Uma grande feira livre, com suas barracas enfileiradas, ocupava boa parte da mais chique rua do país. Nem percebi que já estava mesmo na Oscar Freire. No começo e no final da feira, dois estandes vendiam o, não menos famoso, pastel paulista, aquele que é frito na hora.
Eram frutas, verduras, utensílios domésticos. A limpeza das barracas impressiona qualquer um que, um dia, já tenha passado por uma feira de Natal. Os alimentos são divididos previamente por porções, as carnes e os peixes ficam devidamente resfriados, envoltos a toneladas de gelo. O pastel frito, mais parecia servido num shopping.
Do outro lado da rua, os carros, sempre das melhores marcas, estacionavam ordenadamente. Raras foram as vezes que o trânsito no local ficou prejudicado e, quando isto aconteceu, não demorou mais do que alguns minutos.
Quando cheguei ao final da feira, enfim, comecei a perceber os motivos que levaram à rua a tamanha publicidade. Numa lojinha, ali bem perto, parei para conferir o preço de uma roupa, que era ostentada em uma das vitrines da via. Duzentos e trinta reais. Definitivamente, até mesmo as feiras livres de São Paulo são diferenciadas.
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